“De um texto seguido de perto escrito por mim, apresento uma alternativa, faço depois uma escolha.”
Manuel Rodrigues
No Inferno, onde tudo começa, procuras os dias futuros. Buscas a presença divina e esqueces o que realmente és.
Invades a memória em pesquisas aleatórias justificações obtusas e espaços livres, onde deixas-te o teu tempo.
Enquanto escreves para não te esqueceres registas apenas a dor que sentes nesse instante e por momentos, mudas de posição, voltaste para o lado, descansas o pescoço agitas o braço dormente e recostaste de novo para esquecer os bons pensamentos.
Gravas a tua voz, apagas a luz, tens os olhos a arder e escamas a cabeça com os dedos por entre os cabelos.
Queres dormir, mas porque precisas de te esquecer, evitas o sono, afastaste dos sonhos, porque não tens pesadelos.
Enquanto dormes a vida sem sentido acelera o tempo e assim o desejas, assim te conversas longe de tudo, até mesmo de ti.
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